terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Residência Artística Arrasta Ilha 2018: dia 14

 
22/01/2018

O silêncio e vazio da casa aumentou é hora de arrumar as coisas para voltar pra casa. A saudade é grande de reencontrar e poder compartilhar com aquelxs que ficaram, mas a emoção vivida e o aprendizado adquirido, durante esse período, nos dá força para ainda fazer tudo que é necessário ser feito para o momento mais importante do ano para o Maracatu Arrasta Ilha.
 
Daqui a pouco nos vemos de novo Pernambuco, gratidão por tamanha diversidade cultural que nos ensina a ser!
Salve o rei, a rainha, os caboclo,
catirina, estandarte orixá.
Hoje os nossos tambores
vibram para os ancestrais.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Residência Artística Arrasta Ilha 2018: dia 13

21/01/2018

Agora as saídas são diárias dos integrantes dessa residência. O vazio e silêncio por alguns cômodos aumentam. Mas junto a isso há a sensação de que tudo deu certo e que saímos mais plenos do que quando chegamos.
 
Hoje foi o último dia de atividades relacionadas ao maracatu. Alguns integrantes foram para o ensaio do Baque Mulher na comunidade do Pina, em frente à Nação de Maracatu Porto Rico. Lá nos despedimos calorosamente de todos desejando um lindo carnaval e de lá fomos pra Olinda, no bairro de Águas Compridas.
 
Porém desta vez o destino era o Centro Africano São João Batista, terreiro de candomblé nagô, herdado pelo Mestre Afonso de seu pai que também era babalorixá. Mestre Afonso aliás nem se coloca nesse lugar, para ele sua função é ser um zelador de toda essa espiritualidade.
 
Assistimos ao ritual de toque pra Obaluaê. O xirê iniciou e a cada orixá que era reverenciado agradecemos por tudo que vivemos, por todos os ensinamentos obtidos e o axé emitido a cada zuela. Para muitos de nós era primeira vez em um terreiro de candomblé, ou mesmo num terreiro de religião de matriz africana.
 
Voltamos para casa quase meia-noite passada já com saudades dessa família nação que tão bem nos acolheu. Alguns de nós não conseguiram ir pois foram direto ao encontro de afoxés que haveria no centro de Recife, mas este encontro não aconteceu.
Nossos vassalos, nossos vassalos,
brinca rainha e dama do paço.
Lanceiro, lanceiro,
Leão Coroado é nação verdadeira!

domingo, 21 de janeiro de 2018

Residência Artística Arrasta Ilha 2018: dia 12

Foto: Guilherme Ledoux
20/01/2018

Hoje corremos contra o tempo para aproveitar nosso último dia de gravações. 
Um dos nossos residentes também tinha uma missão muito importante: grafar na pele o amor mais puro e sincero - o amor de mãe.
Enquanto isso outro grupo adentrou a sede da Nação Maracatu Encanto do Pina, mas antes de tudo pedimos benção para matriarca Vó Quixaba. Lá no interior da maré, o lixo vira arte de ponta e ensina desde pequenas as crianças encantadas os valores afro-brasileiros integrados à natureza.
Conversamos com Tia Mari, braço direito de Mestra Joana e este ano pela primeira vez dama de paço da nação. Também falamos com Marcinha, integrante da nação que veio do Estado de São Paulo e que ao contrário de muitos batuqueiros não veio pra tocar nas nações, mas compartilhar seu ofício de costura e contribuir com seu amor à nação. Por fim falamos com o Rei Tiago que super organiza a linha de produção das fantasias e de dá fomos para a Nação de Maracatu Porto Rico.
Lá assistimos um pouco do ensaio técnico, coordenado por Mestre Chacon, saudamos a Rainha Elda que contemplava a rua tomando um doce, cercada pelos jovens da comunidade e falamos com Edney, batuqueiro da nação e "pau pra toda obra" junto com Paulinho figurinista na composição da estética do maracatu para o carnaval.
Uma pausa literalmente para o café e fomos para à rua da Moeda, onde aconteceu  o segundo ensaio das nações de maracatu para o Encontro Tumaracá, com a presença das nações de maracatu: Leão da Campina, Encanto do Pina, Cambinda Estrela e Encanto da Alegria, além da participação do grupo Voz Nagô e Bongar. Foi lindo de ver a força dos tambores!

Ainda rolou Afoxé da comunidade do Chão de Estrela e o Coco da Mazuca, da comunidade do Pina. E quando achávamos que tinha sido suficiente, iniciou um grupo de samba ao lado do palco e na outra esquina, o brega fervendo.
Tecida de claridade
Recife sonha ao luar
Lendária e heroica cidade
Plantada à beira-mar
Foto: Guilherme Ledoux

sábado, 20 de janeiro de 2018

Residência Artística Arrasta Ilha 2018: dia 11

19/01/2017
Dona Emília, mostra seu valor
Meu coração bate forte no baque virado Estrela chegou!
 
Salve o rei, salve a rainha!
Salve Estrela Brilhante e sua boneca Dona Emília!
A casa começou a ficar mais vazia com a saída de alguns residentes, mas ainda precisávamos dar conta de alguns objetivos. Assim um grupo pequeno foi recebido pela rainha Rafaela da Nação de Maracatu Estrela Brilhante de Igarassú. Conversamos e cantamos junto com ela e Hilca, filha do Mestre Gilmar e prima de Rafaela. Ela nos contou que desde os 13 anos assumiu a posição de rainha, pois sua avó a matriarca Olga Santana, lhe destinou tal papel.
 
Também em Igarassú reencontramos membros do Grupo de Maracatu Porto de Luanda (SP), que como nós também estavam executando um projeto junto às nações pernambucanas.
 
O almoço foi comida de rainha! Delicioso e feito pela própria Rafaela que agora abriu um pequeno negócio em sua casa para trabalhar com refeições. Então nos despedimos de todos que nos acolheram tão bem nessa nação e fomos para casa com o objetivo de ir ao segundo ensaio das nações para o Encontro Tumaracá, na rua da Moeda, mas tal evento foi suspenso por causa das chuvas que caíram de madrugada e pela manhã. Nos restou apenas ir para o Traga Vasilha e renovar nossa força  e axé nesse encontro de batuqueiras e batuqueiros de maracatu, que se organiza de forma autônoma na cidade de Recife.
Sexta-feira pra onde eu vou
Vou Traga Vasilha tocar meu tambor!

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Residência Artística Arrasta Ilha 2018: dia 10


18/01/2017

O dia hoje foi de "bater perna" no centro de Recife para comprar as coisas para o nosso carnaval em Floripa. No entra e sai das lojas, calor e goles de água de coco para hidratar, cumprimos nosso compromisso e depois fomos saborear um almoço delicioso no Ilê Axé Oxum Karê de Mãe Bete de Oxum. Lá tocamos um pouco do nosso repertório, brincamos de coco com a dona da casa e estreitamos os laços com essa mulher guerreira, repleta de sede de transformação a partir da base ancestral da cultura negra.

Oh diga lá que coco é esse é o coco de umbigada!

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Residência Artística Arrasta Ilha 2018: dia 9

17/01/2018

Nossa tarde de hoje foi em Águas Compridas. Realizamos uma verdadeira roda de conversa com Dona Janete, dama de paço da Nação de Maracatu Leão Coroado, sua filha Cecília e netas que confeccionavam o pálio, estandarte e roupa da rainha.

Foi muito especial ver a forma que o conhecimento passava oralmente entre as gerações e o amor envolvido nessa produção familiar para colocar o maracatu na rua.
Enquanto isso outros integrantes do nosso grupo conversavam com Mestre Afonso no terreiro, enquanto lá ele pintava os ilús para o Toque de Obaluaê que ocorreria no próximo domingo.
Jantamos um delicioso cozido e de lá fomos para o Alto José do Pinho para assistir ao ensaio da Nação de Maracatu Estrela Brilhante do Recife, pegar as roupas de nossa corte e nos despedirmos dos integrantes da nação.
Estrela, que linda nação
seu tambor bate forte
o apito do mestre
traz mais emoção

Sou iorubá, sou nação nagô…

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Residência Artística Arrasta Ilha 2018: dia 8

16/01/2018

Logo pela manhã já nos levantamos e nos arruamos para o almoço com a Rainha Marivalda da Nação de Maracatu Estrela Brilhante do Recife. Enquanto a própria rainha preparava uma deliciosa feijoada e conversava com alguns, outros acompanhavam Seu Jair, marido da rainha, e alguns batuqueiros no feitio e manutenção das alfaias.
Mestre Walter também foi nos visitar, mas acabou tendo que sair logo. E a baiana rica Mauricéia não pode ir pois estava se recuperando um forte virose que atingia também outros conhecidos em Recife.
Após o almoço bateu aquela lezeira, mas fomos ver com a rainha as roupas da corte da nação. E quando falamos que gostaríamos de levar uma roupa de rei e rainha, ela prontamente passou a procurar conosco e achamos tais roupas nas cores do arrasta.
Foi uma energia muito grande provas essas roupas e ter a certeza que a cada dia nos aproximávamos mais dos nossos objetivos aqui.
Saímos do Alto José do Pinho e só foi o tempo de chegar em casa e se arrumar para ir ao Centro Cultural Bongar.
Marileide, produtora do grupo e também dirigente do centro, já estava à nossa espera e Guitinho nos aguardava para dar um abraço e ir ao ensaio das nações - Encontro Tumaracá - que ocorrerá quinta de carnaval, abrindo a programação oficial do carnaval em Pernambuco.
Realizamos nossa apresentação e ficamos muito gratificados tanto pelo som realizado, quanto pela presença das pessoas que vieram nos assistir. 
Sabemos da luta para obter esse espaço e do nosso grande respeito à cultura pernambucana. Por isso agradecemos às nações que orientam nosso trabalho, à nação Xambá e ao grupo Bongar por tamanha oportunidade.
Gratidão também a presença de Fred e Nefertite, integrantes da Nação de Maracatu Porto Rico, à Sabrina, batuqueira da Nação de Maracatu Estrela Brilhante do Recife, a Dário e Ana, integrantes do Afoxé Omo Nilê Ogunjá e a Marcela, ex-integrante do Arrasta Ilha que hoje mora em João Pessoa e que veio somar com sua energia nesse momento tão especial.
A comemoração não podia ser melhor fomos à Terça Negra curtir o melhor do maracatu, afoxé e coco de roda pernambucano.

"Maracatu de baque virado, alfaia, gonguê e o povo nagô. Batuques de mina, ganzá e agbê. Sustenta a pisada o Arrasta chegou"


Foto: Guilherme Ledoux

Foto: Guilherme Ledoux